Avulso

Preparo-me para o renascimento
Recompondo o que era, para o que será
Jamais senti que a hora tarda
Preso me sinto em meu esquecimento

Já procurando a busca incansável
Encantado com o que me aguarda
Com medo do que há em mim
O horizonte se torna descartável

No sagrado sentimento me renovo
Buscando purificar-me pelo todo
Não me levem em conta ao todo
Entro então, novamente, no jogo

As palavras ecoam no nada
Tudo e nada não mais existem
E a sensação deles então surgem
Vou sozinho com minhas asas

Desconsiderem este prolixo ser
Mandem tudo pro lixo para vencer

Utopia Errante

Após tanta filosofia continuamos os mesmos
Tememos o futuro, construído sobre o passado
E mesmo passado o tempo, a fuga não vem
Com o presente deste presente, embrulhado em angústia
Produto de uma vida
Vida na forma de um duto
Viaduto de almas e sonhos
A felicidade que chega aos ouvidos duvidosos
Solidários solitários que ouvem a voz
Nós em nós, duros como a noz
E jaz em paz como um ás audaz
Ela triste canta enquanto encanta
Mas não alcança… e vem a lança
Que balança, mas não cansa
Como tudo que finda, a vinda vem a calhar
E no altar do olhar tudo se esquiva
Nessa nossa errante utopia